Santos, Segunda-feira, 31 de maio de 1999 Ano 106 nº 067

Já pensou em visitar vários países e conversar com pessoas em uma língua comum a todos? Esta é a idéia do esperanto, que pretende ser a língua internacional de todos os povos. Ela vem ganhando espaço na Internet e também na literatura. Um garoto de 11 anos já traduziu dois livros do Ziraldo para esta língua.
Viviane Pereira tribuninha@atribuna.com.br
Da Reportagem
Para Cristóvão
Resende, 11 anos, o esperanto é sua língua, além do
português. "Desde que nasci meu pai só fala comigo em
esperanto", comenta. "Acho bom porque eu posso me comunicar com
vários países", diz o menino, que já participou
de congresos em Cuba, Panamá, Japão, França e Coréia.
Cristóvão acha o esperanto bem mais
fácil do que o português. "Em um ano você já
fala fluentemente porque o esperanto é fonético, cada letra
tem um só som", explica.
Na escola, os amigos ficam curiosos e perguntam
como é esta ou aquela palavra em esperanto. "Às vezes
até cansa".
A idéia de traduzir o livro O Menino
Maluquinho, do Ziraldo, surgiu quando o escritor participava de um evento
de autógrafos em Brasília, onde Cristóvão mora.
"Eu e meu pai levamos a revista do Tin Tin para mostrar que já
tem em esperanto", recorda. "Ele se interessou e falou para eu
começar a tradução".
Para ele, o mais difícil é traduzir
as gírias. Mas, mesmo assim, gostou do trabalho.
"Já no lançamento do Menino
Maluquinho o Ziraldo pediu para eu traduzir o Flicts (lançado
agora no Salão Intenacional do Livro)", afirma Cristóvão.
"Tenho vontade de traduzir outros livros dele".
La Knabo Frenezeta (O Menino Maluquinho,
em esperanto) foi vendido em 110 países sem precisar ser traduzido,
como acontece com livros em outras línguas.
Cristóvão
(à dir.) quer traduzir
outros livros do Ziraldo
Redescoberta pela Internet
O pai de Cristóvão, Roberto, confirma que
sempre conversou em esperanto com o filho. "Nunca falei em português com ele", recorda. "Para mim, este é um jeito de dar uma outra língua ao meu filho".
Ele acha que o esperanto garante uma coisa
que nehuma outra língua oferece: a chance de falar com o mundo de
forma neutra, pois não é de nenhum país. "Ela
é reconhecida como língua internacional pela ONU e pela UNESCO",
explica.
Segundo Roberto, cerca de 20 mil pessoas falam esperanto no Brasil. "A Internet provocou uma redescoberta desta língua".
Congresso Brasileiro será em Julho
Além de manter correspondência,
os esperantistas (como são chamados os que falam esperanto) encontram-se nos congressos mundiais realizados anualmente.
Este ano será em agosto, em Berlim, na Alemanha.
O congresso brasileiro será dia 16 de julho, em Campo Grande, Mato
Grosso do Sul.
Os esperantistas têm ainda um sistema de
hospedagem gratuita com 870 endereços em 75 países.
Esperanto tem 112 anos
O esperanto foi criado em 1887 pelo médico polonês
Ludwig Lazar Zamenhof. A cidade em que ele vivia não era grande, mas havia pessoas de várias origens que falavam línguas diferentes, o que provocava desentendimentos.
O médico estudou o latim, o hebraico e o grego, além de línguas modernas como o francês e o inglês. Começou a elaborar uma língua que pudesse ser comum para o relacionamento de pessoas de várias origens. Surgiu então o esperanto.
Gramática é simples

Uma das facilidades do esperanto é sua gramática com apenas 16 regras, sem exceções,. Seu vocabulário tem origem em línguas latinas, germânicas, eslavas e gregas.
Esperantistas, como Cristóvão, encontram-se
em congressos
mundiais todos os anos
Primeiro texto foi publicado em 1898
Os imigrants europeus trouxeram o esperanto
para o Brasil. Em 12 de abril de 1898 foi publicado o primeiro texto nesta
língua aqui no país, no jornal O Paiz.
Em março de 1906 foi fundado o Suda Stelaro
(Cruzeiro do Sul) em Campinas, primeiro clube esperantista. Ele existe
até hoje com o nome Campinas Esperanto-Klubo.
O Brasil foi o primeiro país no mundo a
declarar o esperanto como língua clara para telegrafia.
A Liga Brasileira
de Esperanto, de 21 de julho de 1907, é mais antiga que a Associação
Mundial de Esperanto.
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Quem quiser saber mais sobre a língua pode ver as páginas de Cristóvão na Internet: http://pagina.de/flicts e http://pagina.de/ knabo . Ou então entre em contato com a Liga Brasileira de Esperanto, Caixa Postal 03625, CEP 70084-970 , Brasília/DF tel. (061) 226-1298, e-mail bel@brnet.com.br |